terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A música brasileira e o samba como identidade

Gênero musical é destaque do segundo dia do curso de MPB no CFA

Clécia Queiroz: cantora, compositora e difusora do samba. Foto: Raulino Júnior
Por Raulino Júnior 

O curso de Música Popular Brasileira ministrado por Vítor Queiroz, no Centro de Formação de Artes, em Salvador, segue discutindo aspectos relacionados ao nosso fazer musical e hoje foi a vez de falar de samba. Para isso, Vítor fez todo um preâmbulo sobre a história do Rio de Janeiro, que, sem entrar em questões polêmicas, é o estado que marca a sedimentação do gênero impulsionado pelas tias baianas, sendo Ciata a mais conhecida. O pesquisador trouxe informações sobre o Teatro de Revista e mostrou como essa manifestação artística foi importante para a consolidação do samba e de toda a MPB. A turma ouviu modinhas, que, de acordo com Queiroz, podem ser vistas como a origem da seresta e da sofrência. Nomes como os de Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Noel Rosa, Orlando Silva, Mário de Andrade, Carmen Miranda e Moreira da Silva figuraram na aula. Gêneros como samba de nego, samba de breque, lundu e chorinho foram discutidos também. Obviamente, houve muita audição de músicas, um dos pontos altos do encontro.

Curso de MPB: samba como identidade nacional. Foto: Raulino Júnior

Vítor falou ainda sobre a importância do rádio na popularização da música nacional, principalmente como estratégia no Governo Vargas. Para o Desde, ele disse qual foi o objetivo da aula sobre samba: "Hoje, é exatamente a carne do prato principal, porque é a consolidação, tanto do discurso do que seria MPB e também do samba enquanto um símbolo nacional durante a Era Vargas. São referências obrigatórias para todo mundo que vai pensar música popular brasileira".

Clécia Queiroz, cantora, compositora, atriz e professora de dança, achou que o curso foi bem pensado e gostou da abordagem acerca do samba: "Para mim, foi fundamental fazer junções. A minha pesquisa é mais para o samba de roda, do século XIX para cá, mas, evidentemente, a relação dele com o samba carioca é bastante importante", conclui. Clécia está preparando quarto disco e, na sua discografia, constam Chegar à Bahia (1997), Samba de Roque (2009) e Quintais (2016). Nos dois últimos, Vítor, que é sobrinho da artista, participou da direção artística.

Edson de Souza: "O samba mudou, mas não perdeu as raízes". Foto: Raulino Júnior

O professor de música da educação infantil, Edson de Souza, 37 anos, afirmou que as informações adquiridas no curso, a respeito do samba, provocaram uma viagem no tempo. "Foi uma volta no tempo, de como o samba surgiu. Com o passar do tempo, houve algumas mudanças, mas ele não perdeu a sua raiz. Às vezes, por a gente não conhecer profundamente, a gente acaba criticando. Hoje, o professor trouxe temas importantes, dos quais eu desconhecia, como alguns autores e formas como o samba se desenvolveu durante o tempo".
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