sábado, 8 de outubro de 2016

De ser preterido, em 2016, por ser negro


A coisa é seria. Mais séria do que você pensa. Só sendo negro para saber. É claro que não precisa ser negro para saber sobre a situação do negro no Brasil ou para lutar pelos ideais do povo negro. Precisa ser consciente. Mas, ser vítima de preconceito e de discriminação racial, só sendo negro para saber onde e como dói. A coisa é séria. Mais séria do que você pensa.

Qual é?! Foto: arquivo pessoal

Estamos em 2016, mas muitas pessoas agem como se tivéssemos no século XV, quando, ao meu ver, atitudes racistas e discriminatórias já eram um absurdo. É revoltante como o discurso de exclusão está naturalizado. É revoltante ver as desculpazinhas esfarrapadas que as pessoas usam para justificar o injustificável. É revoltante, muitas vezes, não agir de forma apropriada diante de tal situação. Há uma certa paralisia, um não acreditar que aquilo está acontecendo. É revoltante! A coisa é séria. Mais séria do que você pensa.

Estamos na era das seleções: de emprego, de estágio, de atores etc. Nessas seleções, o que deve ser levado em consideração? O que é mais importante: a habilidade para executar o trabalho proposto ou a cor da pele? Em condições normais de temperatura e pressão, seria a primeira opção; mas como vivemos numa sociedade racista, preconceituosa e discriminatória, a segunda prevalece. E prevalece na maior caradura! Com complementos, no final de uma pedrada, do tipo: "Eu adoro negro. Acho lindo esse tom de chocolate, mas...". Eu não tenho tom de chocolate nem quero ser associado a tal. Não sou objeto. Sou negro. Sou pessoa. Sou humano. A coisa é séria. Mais séria do que você pensa.

Quando isso vai mudar? E vai mudar? Não sou pessimista e não gosto do pessimismo, mas, nesse caso, sou cético. Infelizmente. É duro ser preterido, apenas, por ser negro. É jogar toda a história de um povo no lixo e considerar que ela não valeu de nada. Mas ela valeu, sim! Mais do que nunca, é preciso ocupar, se apropriar, cavoucar. A coisa é séria. Mais séria do que você pensa. O nosso enfrentamento também.
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Absurdo! Obrigado pelo comentário, Cleide! :)

      Excluir
  2. Não sou de sair portando bandeiras, mas vejo esta situação muito claramente, Rau. Sempre me percebo mais negra do que as minhas colegas "branquinhas", nunca confundidas como uma pessoa comum como eu... aliás, discuto o conceito de "comum"... eu sou comum, mas não quero ser vista dentro do que se intitula "comum" por aí. Sou mulher, negra de pele clara, cabelos crespos alisados, mas sou alguém que quer ser enxergada como uma pessoa como qualquer outra. Mas a sociedade tem me mostrado que isto é uma mentira. Haverá sempre bons lugares para brancos (quase)ilegítimos, e lugares à margem para negros (sempre) legítimos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito bacana o seu relato, Dri! A gente tem que lutar para que isso não se perpetue. Não é fácil, mas a gente enfrenta. :)

      Excluir

Copyright © Desde que eu me entendo por gente

Design by Josymar Alves