quinta-feira, 9 de abril de 2015

Vida de baiana que foi Miss Universo em 1968 vira livro

Biografia de Martha Vasconcellos foi escrita por Roberto Macêdo e integra a Coleção Gente da Bahia, da ALBA

Capa da biografia de Martha Vasconcellos. Foto: Raulino Júnior


Martha Vasconcellos: a rainha da beleza universal é o nome da biografia escrita pelo jornalista Roberto Macêdo e lançada na tarde desta quinta-feira, na Associação Comercial da Bahia, no bairro do Comércio, em Salvador. A obra integra a Coleção Gente da Bahia, iniciativa de marketing cultural da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA). O objetivo da coleção é o de preservar a memória de baianos e de pessoas que, de alguma forma, têm forte identidade com a Bahia.

Cerimônia

O Salão Nobre da Associação Comercial da Bahia ficou repleto de pessoas que foram prestigiar o lançamento do livro. Martha Vasconcellos foi bastante assediada, com pedidos de fotos e entrevistas. "É muito bom ser homenageada em vida. O Roberto passou um ano e meio escrevendo o livro. Estou muito feliz com esse trabalho dele", contou a baiana, nascida em Salvador há 66 anos (em junho, completa 67). Martha Maria Cordeiro Vasconcellos foi eleita, num mesmo ano (1968), Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo. Foi a segunda (e última!) brasileira até hoje a conquistar o título  de "a mulher mais bonita do mundo". A primeira a conseguir tal feito foi Ieda Maria Vargas, em 1963. Questionada sobre a ditadura da beleza que impera na sociedade, Martha diz não ser contra. "Eu acho que, desde que você se sinta bem fazendo plástica, ou implante, ou o que for, para melhorar, não tenho nada contra. Acho legal".

A história de Martha é de surpreender, porque ela não quis ser apenas ícone de beleza. Foi além. Quando estava com 52 anos, resolveu concretizar um sonho: estudar psicologia. Passou oito anos trabalhando com mulheres vítimas de violência doméstica e foi premiada mais de uma vez por causa disso.

Martha Vasconcellos: hoje, no lançamento de sua biografia...

... e no passado, premiada. Fotos: Raulino Júnior

O presidente da ALBA, deputado estadual Marcelo Nilo, de 59 anos, afirmou que a Coleção Gente da Bahia nasceu para dar prioridade à área cultural, que, segundo ele, está faltando na Bahia. "A Assembleia, apesar de ser a Casa das Leis, que elabora as leis do estado, fiscaliza o Poder Executivo, criou um item importantíssimo: levar, principalmente para a juventude, as pessoas que fizeram a história da Bahia. Então, Martha Vasconcellos é um exemplo. Na década de 60, ela marcou no mundo baiano, no mundo brasileiro, no mundo intenacional, pela sua beleza física e, posteriormente, pela sua beleza espiritual. Na vida política, você também tem que dar prioridade à cultura e nós já editamos e reeditamos 152 livros de pessoas que fizeram a história da Bahia". É importante lembrar que os livros da coleção são distribuídos gratuitamente, na sede da ALBA, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. Os interessados também podem adquirir as obras entrando em contato com o cerimonial da Assembleia Legislativa, através dos telefones (71) 3115-4910 ou 3115-2937.

Marcelo Nilo, presidente da ALBA: "Na vida política, você também tem que dar prioridade à cultura". Foto: Raulino Júnior

De acordo com o deputado, o critério para escolher os autores das biografias é simples: basta procurar a ALBA. "Os autores são frutos daqueles que nos procuram. Tem uma equipe que faz uma triagem, formada pelo doutor Délio Pinheiro [Assessor para Assuntos de Cultura]  e o doutor Paulo Bina [Chefe da Assessoria de Comunicação Social]", explica.



A assistente social aposentada, Heliana Tenuta, 58 anos, acompanha tudo da carreira de Martha Vasconcellos há 47. "Só hoje que eu tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente. É um prazer muito grande. Estou muito feliz", entusiasma-se. Eliana veio de Goiânia especialmente para prestigiar o evento. "Sou de Cuiabá, mas moro em Goiânia há oito anos. Tem oito anos que eu tenho contato com a Martha por e-mail, pelas redes sociais". E valeu a pena o esforço? Ela responde adaptando versos de Fernando Pessoa: "Sempre vale a pena quando a alma não é pequena".

Heliana Tenuta: fã de Martha desde os 11 anos. Foto: Raulino Júnior


Com a palavra, Roberto Macêdo

Foto: Raulino Júnior

 Roberto Macêdo, 53 anos, é jornalista, formado pela Universidade Federal da Bahia. Trabalhou  na TVE, TV Aratu, TV Bahia e Bandeirantes.  Nesta entrevista exclusiva que concedeu ao Desde, ele fala sobre o processo de produção da sua obra e opina sobre a polêmica envolvendo biografias não autorizadas.

Desde que eu me entendo por gente: Como foi o processo de pesquisa para fazer o livro?

Roberto Macêdo: Eu pesquisei em várias bibliotecas do Brasil, em várias coleções de revistas e jornais, pesquisei muito pela internet. Graças a Deus que a internet hoje já tem coleções de jornais do mundo inteiro. E pesquisei no material da própria Martha. Ela foi extremamente generosa, abriu a sua casa, me de deu todas as fotografias e, por último, me deu todas as cartas que ela guardou durante todos esses anos. Mais de 600 cartas. Grande parte do livro, a gente deve agradecer a essas cartas, porque era uma espécie de diário que ela tinha. Rendeu muita história interessante.

Desde: Houve algum tipo de censura por parte da Martha?

RM: Não, porque Martha é minha amiga. Eu diria, hoje, de brincadeira, que conheço a vida dela mais do que ela. Eu sei do que ela não gosta, do que ela gosta. Há um detalhe que ela não queria que tocasse. Eu cheguei para a direção da Assembleia e disse: "Ela não gostaria de tocar nesse assunto". O pessoal da Assembleia disse que esse projeto é uma homenagem, que não quer constranger ninguém. Então, foi ótimo, porque o meu pensamento estava indo ao encontro do pensamento da Asssembleia. E assim foi. O detalhe dizia respeito ao segundo casamento dela, uma coisa que não acrescentava nada na vida dela. A gente nem tocou, só disse que ela teve um segundo casamento. Não tem nenhum problema. Martha é uma pessoa muito querida, muito amada, todo mundo fala bem dela; você só não pode pisar no calo dela. Se pisar, ela fecha o tempo.

Desde: O que você acha da polêmica em torno das biografias não autorizadas?

RM: Eu acho ridículo porque você pode me autorizar ou não a fazer a sua biografia, e eu faço. Se você tem uma vida pública, participou de várias situações com várias pessoas, por que você pode proibir que as pessoas contem essas coisas? O que eu acho que deve haver é uma Justiça séria e rápida, porque se você se sentir prejudicado, você processa o biógrafo, pede uma indenização, pede para ele ser preso, faz o que quiser, pede o que quiser. Agora, o direito é a vida, é a história. Quem vai me impedir de contar uma coisa que eu vi? Ninguém!

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||Galeria||

Martha posa para foto com admiradora. Foto: Raulino Júnior















Martha entre Marcelo Nilo (à esquerda) e o presidente da Associação Comercial da Bahia, Marcos de Meirelles Fonseca. Foto: Raulino Júnior




Martha e Roberto durante a cerimônia de lançamento da biografia. Foto: Raulino Júnior





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