sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Um olhar sobre Peterson Azevedo

O professor e fotógrafo revela um pouco do seu universo

Peterson Azevedo no seu universo. Crédito: Autorretrato

“Ando onde há espaço: − Meu tempo é quando”. Esses versos são do soneto Poética, de Vinicius de Moraes, e têm tudo a ver com Peterson Azevedo Amorim. Além de, profissionalmente, estudar o espaço geográfico, ele vive capturando momentos através da fotografia. O seu “tempo” é mesmo “quando”. Tanto é que não cria expectativas para o futuro. Se tem uma coisa que a maturidade me revelou, foi não prever o que está por vir”. O geógrafo, formado pela Universidade Católica do Salvador (UCSal), integra, desde agosto de 2008, a equipe de professores da TV Anísio Teixeira, projeto da Rede Anísio Teixeira, programa de difusão e produção de mídias e tecnologias educacionais, da Secretaria da Educação do Estado da Bahia. Lá, Peterson atua como produtor de conteúdo audiovisual e fotógrafo. Atualmente, não dá aulas em unidades escolares, mas participa de projetos sociais de natureza educativa, em Camaçari, cidade onde reside desde 2006. 



Família

Peterson Azevedo. Crédito:
Autorretrato
Peterson fixou residência em Camaçari quando se casou com a assistente social Monique Azevedo. Do relacionamento, nasceu Cauê, de 6 anos. No cotidiano, é comum ver o geógrafo colocando suas opiniões com convicção e, quase sempre, citando leis para embasar os próprios argumentos. Isso pode ter relação com algum aprendizado adquirido com o pai, seu José Amorim, que é bacharel em direito. A mãe, dona Elisa Amorim, é funcionária pública aposentada. Ao todo, Peterson tem quatro irmãos: Anderson, Samirra, Jaqueline e Mônica. As irmãs são só por parte de pai. A família é oriunda do bairro Cabula VI e, numa certa época, viveu em Fortaleza, no Ceará.







Amante da fotografia

O amor de Peterson pela fotografia começou em 1996. Por acaso. “Trabalhava no Banco Econômico e tinha um amigo que realizava, constantemente, viagens ao exterior. Esse amigo, então, recebeu uma encomenda de uma câmera analógica Canon EOS 500, top na época, mas o cliente não tinha mais como comprar. Ele sabia que eu praticava bodyboard e precisava registrar os campeonatos. Sendo assim, me ofereceu a câmera. Como ele não tinha outra opção, baixou o preço e, assim, pude comprá-la. Foi como conheci o universo da arte fotográfica”. Desde então, vive fazendo registros, focalizando a natureza humana e o espaço geográfico. “Quando ingressei na faculdade de geografia, já tinha um conhecimento básico e técnico de fotografia, o que me ajudou muito, pois 70% das aulas do curso eram feitas em campo. Foi nesse período que comecei a construir um olhar próprio, construindo um diálogo entre o objeto de estudo da geografia (o espaço geográfico) e a arte fotográfica. Daí meu olhar ser cooptado pela natureza do homem e suas transformações no espaço”.


Um dos retratos desse ensaio foi selecionado para o VIII Salão Brasil Afro 2010.
Crédito: Peterson Azevedo

Nesse sentido, consegue, ao mesmo tempo, ser global e local, mantendo identidade em tudo que fotografa. Essa é uma característica da fotografia documental, estilo com o qual se identifica, uma vez que imprime o seu olhar sobre a realidade. Modesto, não se considera um fotógrafo profissional: “Costumo dizer que amo o que faço, logo, sou amador na arte de fotografar”. O fato é que os frutos desse amor já foram premiados. Peterson teve seus registros fotográficos reconhecidos por importantes instituições e destaca alguns prêmios que o emocionaram: “O do VIII Salão Nacional da SENAD (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas) me emocionou bastante, pois além de ser um concurso que tinha como proposta discutir o consumo de crack no Brasil, a premiação foi entregue por Luiz Inácio Lula da Silva, por quem tenho grande admiração ideológica; outro prêmio que me deixou muito feliz foi o Leica-Fotografe, considerado um dos prêmios mais concorridos do País; além do Pérsio Galembeck, por sua relevância artística, e o 18º Concurso de Fotografia Documental da América Latina, por ter sido o primeiro prêmio internacional”.

É claro que Peterson admira e gosta do trabalho de outros fotógrafos. De acordo com ele, tem como inspiração os artistas Ansel Adams, João Roberto Ripper, Sebastião Salgado e os baianos Adenor Gondim e Ricardo Sena. Steve McCurry, Irving Peen, Diane Arbus e Eugene Smith também são considerados como referência para Azevedo. No Facebook, ele mantém a página Peterson Azevedo Photography, onde divulga o próprio trabalho e informações sobre fotografia. Em agosto de 2013, realizou a exposição Permanências Percussivas, na Casa da Música (que fica no bairro de Itapuã, em Salvador), em homenagem ao músico baiano Cacau do Pandeiro. Inclusive, foi o responsável pelo still (fotos oficiais) do documentário Cacau do Pandeiro – O Mundo na Palma da Mão, dirigido por Márcio Santos e lançado em 2012. Sua formação acadêmica, na área de audiovisual, conta com cursos feitos na Academia Internacional de Cinema e no Instituto Casa da Photographia, reconhecidas instituições de formação. As fotos de Peterson já foram publicadas nas revistas Diversos Afins e InComunidade (editada em Portugal).

Além da fotografia, outra arte que sensibiliza Peterson é a música. Ele afirma não ter preconceito, mas prefere melodias mais trabalhadas, que o emocionam. “Na minha playlist, existe muito soul, blues e jazz. Aretha, Amy, Robert Johnson, dentre outros. Mas a banda de minha alma sempre será Pearl Jam”.


Professor de geografia

Aos 41 anos de idade, será que Peterson já sabe de que lado o seu coração bate mais forte: do
Peterson Azevedo: professor e fotógrafo.
Crédito: Autorretrato
lado do professor ou do lado do fotógrafo? “Pergunta provocante. Não me considero um ser rotulado, se penso, posso me transformar constantemente. Não sou apenas geógrafo, professor, fotógrafo, triste, alegre, feio, bonito. Sou apenas o tempo, quando ele vira, viro também. Mas, para não dizer que fugi do questionamento, se tem algo que nunca sairá de minha alma é o prazer de fotografar, mas fotografar sem regras e sem compromissos”.


O curso de geografia não era uma opção prioritária para ele. “Na verdade, queria fazer biologia marinha, para alinhar à minha prática esportiva [bodyboard]. Como não existia esse curso na Bahia, optei por um mais próximo, aí descobri a geografia”. E, no curso, descobriu autores que influenciam a sua prática docente. “Milton Santos é referência máxima para mim. Além dele, tenho como referência os clássicos  Humboldt, Marx e Engels e os professores Antonio Teixeira Guerra e Josué de Castro”, revela.


Mesmo com tantos feitos e já sendo referência para as pessoas com as quais convive, Peterson tem medo de uma coisa: ser esquecido. Isso porque ele não deve ter consciência do próprio legado...



O mundo é melhor em movimento ou em imagens (estático)?

Que mundo? No meu, me sinto mais à vontade em olhá-lo pelo visor da câmera. Mas no que vivo, o movimento é que me controla, mesmo meus olhos tentando enquadrá-lo a todo o momento.



  • O que dizem sobre ele...



Nivaldo Fernandes
Crédito: Autorretrato

Uma pessoa ímpar, de admirável coração, muito divertido e responsável. Filho educado, que se converteu em excelente professor, ilustre em seu trabalho de mestre, pois se apaixonou ao ensinar. Inovador nato, sempre está na vanguarda do ensino, por isso consecutivamente oferece o melhor. Por onde passa, constrói laços fraternos de amizades, assim obtém respeito de seus concidadãos. Felizes são aqueles que podem desfrutar de sua agradável e divertida companhia, amigo”.






Nalini Vasconcelos


Crédito: Antonio Paim
“A fotografia de Peterson hipnotiza à primeira vista. Sua arte traz traços fortes e contrastes vibrantes. Muito além da sua técnica fotográfica, com a dose certeira de luz e movimento, está o seu olhar profundo, seja em paisagens, objetos ou particularmente em pessoas. Ao fotografar pessoas, Peterson adentra seu passado, sua história, seu contexto e, por isso, transmite sua alma, seja qual for sua raça, cultura ou crença. Percebemos claramente o que está em sombras e em luz, o que é estático ou movimento, o que é fugaz ou eterno. A fotografia de Peterson me deixa maravilhada e confirma o quanto a arte nos impulsiona e é libertadora”.







Série Perfis do Desde| Ficha Técnica:
Convidado: Peterson Azevedo
Data da entrevista (feita por e-mail): 14/11/2014
Idealização/produção/texto: Raulino Júnior




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2 comentários:

  1. Raulino, mais uma vez seu relato descritivo impressiona. O perfil do Profº Peterson ficou um primor. Parabéns!

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  2. Sandra, muito obrigado pelo elogio e pela visita. Boas histórias rendem bons perfis. Foi um prazer também escrever a sua. Abração!

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