sexta-feira, 30 de maio de 2014

Leonardo Gama: um menino de ouro

Com versatilidade e simpatia, Leonardo Gama leva a vida numa boa


Leonardo Gama e o sorriso que lhe é peculiar. O local é a Praça Professora Olga Mettig, no Jardim Baiano. Crédito: Raulino Júnior

A metáfora do subtítulo, na verdade, não é só metáfora. Principalmente quando o personagem em questão é Leonardo Gama. Ele é, de fato, um menino de ouro. Tanto no sentido figurado quanto no sentido real. Eis a explicação: apaixonado por basquete desde que entrou em contato com o esporte, em 2011 saiu campeão do Nordestão, um dos mais importantes campeonatos da modalidade esportiva. “Ganhei esse presente na véspera do meu aniversário, 2 de julho”, recorda Leco Leco, como é chamado pelos parentes. Na premiação, troféu e medalhas de ouro. Quer dizer, não era bem de ouro, mas as cores dos objetos representavam o metal e o valor simbólico era o que importava. Em meia hora de conversa com o rapaz, é possível perceber o quanto ele é bom moço, bom filho e bom amigo. Leonardo demonstra não ter muitas vaidades, mas quer deixar a sua marca no mundo. “Eu quero que as pessoas saibam que eu tenho a pureza no meu coração e que se lembrem da minha honestidade e cumplicidade”.

Quem é Leonardo Gama

Leonardo Gama: estudante, músico e esportista.
Crédito: Raulino Júnior
Leonardo Luís Sales Sousa Gama nasceu em Salvador, no Hospital Jorge Valente, em 3 de julho de 1994. É filho de Egídio Gama e Elisvalda Andrade. Por parte de pai, tem dois irmãos: Luísa, de 17 anos; e Eduardo, de 11. Mas, para ele, ao todo são três irmãos, pois considera o amigo Gabriel Oliveira como seu irmão de alma. Léo, outro de seus apelidos, está no 5º semestre do curso de Ciência da Computação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Optou pelo curso porque desde o início da adolescência gostava de mexer em computador. “Desde os 13 anos, eu era ‘o menino do computador’ para as pessoas. Quando alguém tinha um problema na máquina, me chamava para resolver. Eu sempre fui um curioso dessa área”, revela. O leitor não tem nenhuma referência sobre o curso? Leonardo explica: “Até o 2º semestre, eu também tinha dúvidas do que era. O curso é mais teórico, para formar pesquisadores na área. Quem faz Ciência da Computação vai, basicamente, aprender a resolver problemas computacionais, envolvendo algoritmos e técnicas de aperfeiçoamento de códigos. As pessoas que saem do curso vão trabalhar na área de tecnologia da informação. É um curso muito amplo. Quem faz a graduação, pode atuar como engenheiro de software, analista de sistema, programador, entre outras coisas”. Léo ainda não sabe em qual área quer atuar, porque faz pesquisa de engenharia de software e gosta de programação e algoritmos, áreas de lógica. Mas tem uma certeza: “Tenho vontade de ser professor universitário e quero realizar esse sonho”.

Amizades, sentimentos e responsabilidade

De acordo com Léo, a teimosia é o seu principal defeito. Por outro lado, assume ser uma pessoa que valoriza muito as amizades que tem. “Ter amigos é valioso. Você não pode dizer que qualquer um é seu amigo, porque amigo é aquele que está nos momentos mais difíceis de sua vida. Tem muitas pessoas que se dizem suas amigas, mas só estão com você nas horas boas, quando você está na farra, quando você está bem. Mas, na hora que você está passando por um aperto e liga, quem vai estar disponível para te ouvir naquele momento? Esses são seus amigos. Por isso que eu valorizo muito os meus e não quero tirar da minha convivência.”, confidencia.

Da sua convivência, ele faz questão de tirar pessoas fofoqueiras, porque elas o deixam chateado. “Fico chateado com vizinhos meus que ficam se preocupando com a vida dos outros. Isso é horrível! Tem gente que sabe a hora que todo mundo chega e que todo mundo sai”, critica. Tristeza é um sentimento que não faz muito parte da vida de Léo. Quem o conhece, sabe que ele é um cara que leva a vida numa boa, espalhando alegria por onde passa. Contudo, como qualquer ser humano, ele revela que várias coisas o deixam triste. Entre elas, a atual relação de seus pais, que são separados; e algumas atitudes de colegas da faculdade. “O fato de meu pai não se dar bem com minha mãe, me deixa triste. Antigamente, já me deixou mais. Hoje em dia, como eu cresci, me acostumei um pouco”. E completa: “Tem algumas pessoas na faculdade que me deixam triste porque elas ficam querendo te sugar. Na época do colégio, não existia isso. Na faculdade, é um querendo passar por cima do outro. É um querendo ser melhor que o outro, a qualquer custo”.

Se você quiser ver Leonardo feliz, o convide para comer macarrão ou pizza. “Adoro macarrão! Se você me chamar para um almoço que tiver macarrão, pizza e caruru, eu estou dentro. Feijoada também”, fala com entusiasmo. Em contrapartida, não ofereça jiló e fígado a ele. “Odeio jiló e não gosto de fígado”. Sendo um pouco clichê e lembrando uma expressão que é usada com frequência nas redes sociais: fica a dica.

Por falar em redes sociais, Léo tem uma opinião bastante contundente sobre a internet e o comportamento das pessoas na Web. “A internet é um mundo. Você vive num mundo pessoal, mas a internet é um mundo no qual você pode ter outra identidade. Então, você tem que ter muito cuidado sobre o que você faz, porque tudo está exposto e, se você não souber usar bem a sua privacidade, você pode ser difamado, o que não é o certo; mas, como no mundo físico existem pessoas más, lá também vai existir e você tem que tomar muito cuidado porque é um mundo perigoso”, aconselha. #FicaADica.

Cavaquinho e basquete: duas paixões

Léo e o seu cavaquinho: "Ele me alegra".
 Crédito: Raulino Júnior
Léo estudou durante dez anos no Colégio Salesiano e foi lá que duas de suas paixões começaram a ser concretizadas. Ele sempre gostou de samba e pagode e, quando era mais novo, via a mãe tocando violão e gostava daquilo. Dona Lio, como ela é carinhosamente conhecida, não tinha tempo para ensiná-lo. Diante disso, ele resolveu fazer pesquisas na internet para aprender a tocar o instrumento. Até então, tocava os ritmos preferidos no violão. Porém, tudo mudou quando descobriu que um colega tinha um cavaquinho em casa, mas não sabia tocar. “Eu não tinha cavaquinho e me deu vontade de aprender. Meu colega me emprestou o dele. Para aprender a tocar, fiz pesquisas na internet também. Isso foi em 2011. No final do ano, devolvi ao colega e, em 2012, minha mãe me presenteou com um”. Daí para a Pega Nada, banda que formou com os colegas do Salesiano, foi um pulo. “Na época em que comecei a tocar cavaquinho, tinha um evento no colégio que, às quintas-feiras, você podia fazer um som. Aí, eu tive a ideia de juntar uma turma para tocar. Tinha um colega meu que cantava. Ele era tímido, mas tinha uma voz bonita. Tive que convencê-lo a cantar. Ele gostava muito de samba e tocava pandeiro. E tinha dois amigos meus, João Paulo e Buldogue, que tocavam percussão. A gente tocou na escola e foi uma festa. A galera gostou, queria mais. Foi ótimo. A gente participou mais duas vezes do evento e tivemos a ideia de montar o grupo. Mas esse grupo não tinha o propósito de vender shows. Era uma banda para se reunir e fazer um som, pra se divertir”. Sobre o nome inusitado da banda, Léo não sabe dizer o motivo. “Eu não lembro de onde surgiu. É um nome engraçado. Não sei o motivo, mas gostei também”. A Pega Nada existe até hoje. Na banda, Léo toca banjo e cavaquinho.

E, no seu cavaquinho, ele gosta de tocar músicas de Thiaguinho, Péricles, Grupo Revelação e Mumuzinho. “O cavaquinho me alegra. Teve um dia que eu fiquei sem o meu, porque precisei deixar na casa de um colega, e fiquei desesperado”. A paixão pelo cavaquinho se estende, obviamente, à música também. “Música é uma coisa linda, não é? Música alegra você, muda suas emoções”, filosofa. As emoções de Leonardo mudam quando ele ouve samba, pagode e rap. “Sou fã e tenho muita vontade de conhecer Gabriel o Pensador. As letras dele são muito significativas. Gosto também de Claudinho e Buchecha, Michael Jackson, Amy Winehouse”.

Léo posa com a sua 1ª bola de basquete: presente do pai.
Crédito: Raulino Júnior
Léo diz ter herdado da mãe a inclinação para o lado artístico. “Isso aí, todo mundo fala que eu puxei da minha mãe. Ela já foi atriz, fez curso livre de teatro na UFBA, já cantou em barzinho e dança”, enumera. Mas, se a inclinação para o lado artístico veio da mãe, a do lado esportivo teria vindo do pai? Não. A história de Léo com o basquete não é nada previsível, embora o pai tenha uma participação importante. “Meu pai me deu a minha primeira bola de basquete, mas eu nem jogava na época”, explica. Inclusive, a bola a que ele se refere é a mesma que aparece nas fotos que ilustram este perfil. Léo praticou basquete de 2005 a 2012 e começou no esporte por acaso. “Um belo dia, vi um pessoal jogando basquete numa quadra e pedi para jogar. Acabei gostando. Entrei para a escolinha e comecei a treinar basquete. Depois, entrei numa equipe e, em 2005, fui convidado para disputar um campeonato. Aí, nesse campeonato, tudo começou. A gente foi campeão e eu não quis mais parar de jogar”. Ele treinava no colégio, com o professor de Educação Física, Rodrigo Silva, profissional que Léo considera importante para a sua formação como esportista. Em 2009, ficou em 5º lugar no campeonato brasileiro; e em 2011, como foi citado no início do texto, saiu vencedor do Nordestão. 

Ao justificar a sua paixão pelo basquete, Leonardo Gama não é nada sucinto: “Vivi oito anos da minha vida no basquete. Como não poderia ser uma paixão? Foram muitas glórias e muitas derrotas também. Conheci pessoas maravilhosas, além de ter a oportunidade de praticar um esporte como esse. É aquela coisa de você ser atleta, de ter aquela vontade de vencer, de passar por momentos gloriosos, de ser campeão. É você ter uma limitação e conseguir superar essa limitação. Eu era o menor do time, mas sempre me dediquei. Queria, pelo menos, compensar com algo, que era com a técnica. Procurava me superar a cada momento que passava”. Léo tem 1,72 de altura.

Momentos marcantes, kart e futura família

Léo elege dois momentos marcantes nesses dezenove anos de vida: o primeiro, é de cunho familiar. “Foi quando eu vi meu pai chorando. A irmã dele mora na França e, em 2009, veio com a família nos visitar. Eu gostei muito, porque não conhecia meus primos nem minha tia, só por foto. Na despedida, quando eles foram embora, eu e meu pai estávamos voltando para casa e eu estava meio angustiado. Ele percebeu e perguntou: ‘O que é que você tem, meu filho?’. Eu não aguentei e comecei a chorar, como se dissesse ‘ com saudade da minha tia’. Quando olhei para ele, a lágrima desceu do olho dele também. Aí, ele disse: ‘Pode chorar, meu filho. Não tem problema não’. Nunca mais esqueci desse dia”. O segundo, foi a vitória no Nordestão. “Queria ser campeão desse campeonato, que é um dos mais importantes da categoria. É um campeonato dificílimo e a gente tinha que treinar bastante para conseguir. Saímos campeões”, comemora.
Leonardo Gama. Crédito: Raulino Júnior

Léo até queria continuar no basquete, mas não tem mais tempo suficiente para se dedicar ao esporte. Hoje em dia, faz musculação e gosta de correr de kart. Nesse sentido, não deixa de citar Ayrton Senna. “Quando eu nasci, ele já tinha dois meses de falecido, mas é vivo até hoje. Todo mundo da minha idade conhece. Ele é um dos maiores esportistas que existem e isso me inspirou a gostar de corrida”.

No futuro, Léo pensa em casar e ter filhos. “Se vier uma menina, tudo bem. Mas eu quero ter um menino. Penso até num nome: Murilo. Eu acho bonito”. Alguém se candidata para concretizar a vontade do menino de ouro?


O pior sentimento do ser humano é...

O pior sentimento do ser humano é o rancor. O rancor é muito ruim. Porque o rancor adoece a pessoa e, às vezes, o problema poderia ter sido resolvido de outra maneira, sem que fosse gerado o rancor. Rancor é pior que a raiva. O rancor é quando você guarda aquele sentimento ruim para você e começa a gerar ódio de alguém ou de algo. Então, aquilo adoece. Por isso que eu acho muito ruim esse sentimento.


  • O que dizem sobre ele...

Bruna Souza
Crédito: Autorretrato


"Está pra nascer um menino tão gentil, amigo, humilde e companheiro como Leonardo! Um cara incrível, inteligente, gente boa... Enfim, é o CARA! A tristeza não habita na vida dele, já a felicidade transborda e ele faz questão de conquistar a todos com essa alegria e essa vontade de fazer sempre o bem!!! A alegria em ter você em minha vida define o tamanho do meu amor por você!".




Crédito: Leonardo Gama

   Fabrício Moreira                                                                                                       
"A característica de Léo que chama a atenção de qualquer um que começa a conviver com ele é a sua tranquilidade e maturidade, mas de um jeito diferente. Não é se comportar como uma pessoa mais velha, mas é agir de forma lúcida e equilibrada frente à realidade. Admiro sua determinação em alcançar seus objetivos, assim como a capacidade de se envolver simultaneamente com coisas distintas. Todos os dias ele faz os cálculos da faculdade alternando com canto, música, violão e cavaquinho. Enfim, é uma pessoa incrível!".







Série Perfis do Desde| Ficha Técnica:
Convidado: Leonardo Gama
Data da entrevista: 3/5/2014
Local: Praça Professora Olga Mettig, Jardim Baiano (Salvador-BA)
Idealização/produção/texto: Raulino Júnior
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3 comentários:

  1. Parabéns pelo Blog Raulino. Muito interessante a confecção dos perfis. Sobre Léo Gama, fui adversário dele durante os oito anos de basquete (ele jogando pelo Salesiano e eu pelo Antônio Vieira) e já jogamos juntos pela Seleção Baiana de Basquete à época. É um cara bem bacana. Sucesso aos dois.

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    1. Eramos mesmo rivais! Hehehehe. Mas quando jogamos juntos nos demos bem em quadra. Ainda uma curiosidade: nossas mães eram amigas de infância! Fui descobrir isso quando minha mae foi assistir a um jogo da gente e encontrou a sua por lá. Abração!

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  2. Obrigado pelo comentário e pelo elogio, Leonardo Gusmão. Puxa! Que bacana! Léo é mesmo um cara bem bacana. Continue acompanhando as publicações. É importante para mim! Grande abraço!

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