sábado, 9 de fevereiro de 2013

Eu queria que aquela POESIA fosse eterna



Quem me conhece sabe que adoro axé music. Não tenho nenhum receio nem me envergonho de falar isso. Vale a pena fazer essa ressalva porque, atualmente, virou cult, principalmente aqui na Bahia, abrir a boca e berrar: “Eu detesto axé music!”. Enfim, voltemos ao que me interessa. É um ritmo que me alegra tanto! Sei que é clichê, mas, de fato, não consigo ficar parado ao som das batidas do estilo musical criado por Luiz Caldas. Parênteses: meu universo musical não se limita a isso. Óbvio! Como acompanho a cena do axé de perto, me sinto até com certa autoridade para refletir sobre o estilo.

Nesse sentido, quero falar sobre as músicas que estão aí e que carregam o título de “candidatas à música do carnaval”. Tem muita gente falando que, este ano, tem muita música boa no mercado. É, dá até pra falar isso mesmo. Num carnaval que já consagrou Liga da Justiça como sua música-tema, Largadinho, Ziriguidum, Dançando, A Dança do Arrocha, Dançation, Tá A Fim de Namorar e Colou, Bateu, Ficou são, fazendo uma analogia com um elemento da festa, camarotes all inclusive. Os artistas não estão nem aí para levar uma mensagem bacana, como acontecia antigamente. Hoje em dia, menos é mais. Menos letra e mais vontade de ter a música-chiclete na boca de todo mundo. Falta poesia. Celebrar, do Jammil e Uma Noites, é uma exceção.

A preocupação em ter no repertório a música que será eleita como “a do carnaval” fez com que os artistas gravassem, desesperadamente, qualquer coisa. Às vezes, a música nem consta no CD de carreira. Eles gravam a canção à parte. O que pesa na eleição não é a música em si e, sim, o artista que a defende. Por exemplo, qualquer música de Ivete vai ser sempre cotada como a do carnaval. Dançando está aí para comprovar.

Até em termos coreográficos a Bahia já foi melhor. As coreografias de Dançando, Largadinho e Dançation são horríveis e nada criativas. E olha que isso era algo marcante na axé music! A impressão que dá é a de que, como as coisas estão tão loucas e tão atropeladas, ninguém mais quer parar para fazer uma coreografia bem elaborada. A coisa que ! Como escrevera Gregório de Matos: “Triste Bahia...”.
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