sexta-feira, 13 de maio de 2011

JUVENTUDE SENTADA NA CADEIRA

IArtigo

A juventude de hoje incomoda. Não somente pelo que ela própria acha que é rebeldia (pequenas crises infatiloides, resistência em fazer o que os responsáveis diretos acham que é correto, discursos vazios etc.), mas, principalmente, pela omissão diante de questões importantes. Ninguém mais quer sair do seu lugar de conforto. Ficar sentado na cadeira é melhor do que levantar para agir. Os jovens trocaram a subversão pela apatia. Isso é frustrante e muito desagradável.

Às vezes, não dá para acreditar que o Brasil que serviu de palco para manifestações dos jovens na década de 60 é o mesmo da atualidade. E olha que, naquela época, o país vivia num regime ditatorial, com muita repressão. Ainda assim, a juventude não se omitia diante do poder constituído. A cadeira era usada com outro objetivo. Era um instrumento de combate e de defesa. Hoje em dia, lutar pelos direitos individuais e coletivos não faz mais parte do propósito dessa gente de seus vinte e poucos anos.

A retórica dos jovens é muito bem elaborada, iluminista ao extremo, Rousseau na veia; mas a ação é nula. O pior é que, dessa forma, eles acham que estão contribuindo para um mundo melhor. Ledo engano. Na verdade, a juventude de agora é mais ativa em outras situações. Parte da juventude é ativa para usar drogas e soltar fumaça 24 horas por dia. Parte da juventude é ativa para consumir bebidas alcoólicas e sair dirigindo os seus carros possantes. Parte da juventude é ativa para passar por cima de tudo e de todos em busca de seus duvidosos objetivos. Parte da juventude é ativa para reproduzir coisas rasas e superficiais. Afinal, esses são os principais “valores” da atualidade, não é mesmo? É uma pena.

Conviver com pessoas que não se pronunciam é, quase sempre, revoltante. Saber que o que elas dizem não corresponde ao que, realmente, fazem, gera uma revolta ainda maior. Tudo isso é muito incômodo. É difícil constatar que uma parcela da juventude brasileira tem muita identidade com os seguintes versos da música Terra de Gigantes, do grupo Engenheiros do Hawaii: A juventude é uma banda/Numa propaganda de refrigerantes. Ou seja: a juventude de hoje é pura ficção.
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Um comentário:

  1. Sendo parte dessa juventude supracitada, no auge dos meus 22 anos, percebo todas essas questões aqui postas, entendo como sendo uma geração de valores muito rasos, talvez não tão bem construídos, não sei bem onde que está o ponto do equívoco, só entendo que no meio desse vendaval de informações, me vejo uma estranha no paraíso, sinto muito em não ter experimentado o fervor de viver na década de 60, mas ainda assim tenho remado em situação contrária participando de lutas e mobilizações sociais.

    Muito bom o seu texto! Parabéns me fez refletir sobre o meu atual papel no meio social e enquanto educadora.

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